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Atualizado em / Publicado em 25.02.2011 11h54

Pecinhas de Maceió 28 anos! Entrevistamos o Pai das “moças”.

por Elzlane Santos // 3 comentários

Ela está completando 28 anos, mas tem a irreverência e malícia de uma adolescente. Anda bem organizada nos últimos anos, mas faz os meninos virarem do avesso só pra ficar com a cara dela. Só põe a cara na rua uma vez por ano, mas o que essa “pecinha” apronta, não está na história, ou melhor, dá uma história e tanto.

Claro que estou falando do mais irreverente bloco de Maceió, “AS PECINHAS DE MACEIÓ”, que este ano completa 28 anos de criação e como não podíamos deixar passar em branco essa data, fomos conversar com Dinho – o presidente do bloco.

Dinho - presidente do bloco As Pecinhas de Maceió.

 

Depois de 28 anos você ainda lembra como começou tudo isso?

Foi numa reunião de 10 amigos na praia de Ponta Verde, o Junior Popó, que desfilou nas Virgens de Olinda, veio com essa idéia, da gente ir para casa se vestir de mulher e voltar para a praia. Daí cada um foi para casa de uma mãe, namorada, e tal, vestiu as roupas e fomos para a praia com batucada, instrumento. Uma coisa de “troça” mesmo, amadora, uma brincadeira de carnaval. E aí virou farra e marcamos de fazer o mesmo no ano seguinte e assim foi sendo.

“Imagine isso há 28 anos, a gente no meio da rua, os nomes que a gente levou?”

Quando virou bloco de corda e abada?

Esse foi o primeiro dilema das Pecinhas. A gente continuou nessa brincadeira, no ano seguinte conseguimos um carro de som, uma veraneio, me lembro que o carro pifou e a gente saiu empurrando vestidos de mulher e os caras gritando – naquela época tinha uma música que dizia joga pedra na Geni – e a gente nessa brincadeira. Depois veio o carro de som da Pitu, distribuição de bebida, mas sempre com a idéia de troça, de brincadeira. Até que veio a Liga dos Blocos da qual eu fui presidente. Veio o famoso Maceió Fest e com ele os ditos blocos empresa, que trouxeram pra gente o que a gente não tinha aqui: cordão de isolamento, trio elétrico, carro de apoio. Foi quando surgiram o Caveira, Tutti-Frutti, TôAtôa e surgiu o grande dilema da gente: profissionalizar ou manter a brincadeira, manter a troça?
Foi quando a gente decidiu se profissionalizar não abrindo mão de 3 pré-requisitos básicos: o primeiro, e fundamental, era que homem só sairia vestido de mulher. O segundo é que não desfilaríamos em outra data e o terceiro, só desfilar com banda local. Antes era um rodízio entre as baterias das escolas de samba Unidos do Poço e Jangadeiros Alagoanos, depois ficamos 10 anos com o Conversa Fiada puxando o trio e depois, substituindo o Conversa, veio a Cannibal que está com a gente até hoje e para reforçar ainda mais a festa, chamamos duas bandas que fazem o esquente do bloco no Iate, este serão Xatrez e Affarra.


E como é a festa? Começa que horas, quais as novidades, quantos foliões?

A gente espera cerca de 5.000 foliões, entre homens e mulheres. A festa começa ao meio-dia no Iate Clube Pajuçara com Affarra e Xatrez, só que entre uma banda e outra a gente coloca um Dj e um professor de Dança, o Juninho QuebraDance, que vai  ensinar a dança da Dilma, que é o tema desse ano, vamos homenagear a nossa presidenta. Todo mundo vai receber a roupa de posse da Dilma e a faixa presidencial e ainda vai ter uma rampa e um companheiro para que a nossa Dilma não suba sozinha. Quem sai nas Pecinhas e vai só pro desfile da rua, tá perdendo talvez o melhor da festa.


As pecinhas fazem parte do patrimônio cultural de Maceió, antes, em sua origem como uma brincadeira, sem cordas, As Pecinhas eram do povo. Cada um tinha ou fazia a sua “Pecinha”. Havia as reuniões na casa de amigos, as meninas montando os meninos, emprestando roupa, maquiagem e depois todo mundo saía pra rua pra desfilar o “modelito”. Com a profissionalização, veio a fantasia oficial e a festa ganhou em organização, mas de certa forma perdeu em criatividade e liberdade de expressão. Qual a possibilidade do bloco ser reconhecido oficialmente como um patrimônio cultural e ser apoiado por verbas públicas e patrocínios, de forma que volte a ser sem cordas e com fantasia livre? Ter um organizador, como o Jaraguá Folia, que é coordenado pelo Ticianeli, mas aberto ao povo.

Para nós, tem duas vertentes na sua colocação. Uma é o controle. Pra controlar, não é nem quem está fora, mas é quem está dentro pra não sair. Antigamente quando não tinham as cordas, era impossível manter o controle e muita gente exagerava, invadiam os carros, as casas, agarravam mesmo quem não estava na brincadeira. Teve uma cena que eu nunca esqueci: tinha um caminhão da polícia, daqueles onde vão dois grupos de soldados sentados olhando cada parte para uma lateral do carro. Os caras subiram no caminhão, sentaram no colo dos policiais, maquiaram, tiraram a maior onda. E eu daqui pensando… Esses caras são doidos. A sorte é que os policiais levaram na esportiva e não foi criada uma situação crítica. Mas foi um grande risco e isso preocupa a gente.

O povo de Maceió também tem uma característica. Você sabe aquela música do Caetano “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”? Para cá não serve. O povo aqui sai em disparada. O bloco está no Sete Coqueiros e eles estão lá no Alagoinhas, não estão ouvindo nada que o trio tá tocando, mas então lá na frente. Então a corda das Pecinhas também teve esse lado de controlar o ritmo do desfile. Veja que tinha corda mesmo quando não tinha esse padrão de fantasia.

A padronização veio baseado nas Muquiranas de Salvador. Você fez parte do Maceió Fest e sabe que a maior corda era a do Nana Banana, que cabia 5.000 pessoas. A equipe de segurança do Nana era e é até hoje, a mesma que faz a do nosso bloco. O tamanho da corda do Nana, acredite no eu vou dizer, não dava para o “Pecinhas”. Quando você ia contabilizar isso, em termo de pagantes, era um susto que você levava. Vamos supor que você tivesse dez mil foliões no bloco e quando ia contabilizar as vendas só tinha mil. Porque todo mundo pegava uma roupa de mulher, da mãe, da irmã ou namorada e entrava na corda. E aí vem a questão dos custos…


Mas a idéia é que os custos deveriam ser pagos ao promotor do bloco, no caso você, através de verbas vindas das secretarias de cultura e turismo e pelos patrocínios. O Dinho deveria ser remunerado para colocar na rua um ícone cultural, como o caso do Jaraguá Folia.

Eu entendo essa proposta, é salutar, é viável, mas para conseguir esses recursos é preciso vender esse projeto para alguém, conseguir parcerias com a iniciativa privada. Por exemplo, o carnaval de Olinda tem uma parceria com a Nova Schin de dez milhões de reais. O Jaraguá Folia ainda não é feito assim, mas eu acredito que o carnaval de Maceió pode ser resgatado fazendo algo parecido. Eles fazem uma espécie de leilão entre as cervejarias e a melhor oferta fecha o circuito da folia e somente aquela cerveja pode ser comercializada na festa. Nós vamos colocar um bloco lá este ano e recebemos a seguinte orientação: vocês terão a sua sede, da porta para dentro vocês podem até beber outra cerveja (mas não pode vender), mas da porta pra fora somente a cerveja oficial do evento. E, para garantir o cumprimento da ordem, terão dois homens de segurança na porta da sede recolhendo qualquer latinha diferente da oficial do evento.

Isso é fundamental, pensar as manifestações culturais de grande porte de uma forma estratégica e comercial, de outra forma não teremos como captar parcerias que possibilitem idéias como essa de baixar as cordas dos blocos e oferecer as atrações de forma gratuita ao público. Mas eu quero lembrar que não é só de atração que falamos quando colocamos as cordas, tem segurança particular para os foliões do bloco, estrutura de apoio com bares e banheiros, abada, serviços diferenciados que não teriam como ser oferecidos sem os quesitos de controle como corda, o uniforme e obviamente, a cobrança de ingresso. Acho também que no nosso município, os indicadores sociais são os piores possíveis. Então acho razoável que o município invista muito mais na educação e na saúde do que no carnaval. Agora, o que é preciso fazer pra isso? Buscar o apoio na iniciativa privada e aí vamos voltar pro início da conversa, sobre projeto, planejamento, etc. Mas se o povo quiser e o município entender que devemos voltar a sair como antigamente, a gente topa, desde claro que seja encontrada uma forma de cobrir os custos.


E como vai ser esse bloco em Olinda?

Então, esse ano vamos fazer o encontro de alagoanos em Olinda. A idéia surgiu numa conversa com o Gilvan, que é do bloco Os Gatos Pingados, mas ele resolveu não viajar e aí eu resolvi tocar a ideia sozinho e fui procurar o prefeito de Olinda – que por sinal é alagoano – e quando eu contei a história para ele eu disse “rapaz, que coisa maravilhosa, eu vou ter um lugar para recepcionar os amigos alagoanos”.  O bloco vai ser uma homenagem a Alagoas e teve como primeiro nome “Ó linda Alagoas”, mas atendendo a sugestões resolvemos usar um nome mais carnavalesco e aí surgiu o “Sururu em Olinda”. A sede vai ser em frente à Faculdade de Olinda e o desfile será no domingo de carnaval. Serão duas orquestras de frevo, uma na concentração e outra no desfile e um Dj. Nós fizemos o percurso todo com o prefeito. Circuito graaaaaaannnnnde demais para alagoano, então resolvemos cortar caminho e deixar em pouco mais de 1,5km, que ainda assim vai demorar mais de três horas… pois é, muita gente nas ruas, além da ladeiras.


Pra encerrar, nos apresente um folião que seja a marca das Pecinhas.

Atenção para a "moça"de vermelho com faixa VOU DE TAXI.Sem dúvida o folião símbolo das Pecinhas é o Eli Tavares, ele sai nas pecinhas desde o quarto ano de fundação do bloco. Todos os anos ele chegava com uma fantasia mais irreverente que a outra. O assunto que estivesse em alta ele transformava em fantasia. Teve um ano que a Angélica estava no auge com a música vou de táxi e lá surgiu ele, em sua moto, com sua cabeleira toda fixada por spray, e com a roupa clássica da Angélica, sem faltar nem mesmo a pinta, na perna. Resultado, a farra foi tanta que ele foi parar vestido de Angélica no meio do show do Esquenta Verão, que acontecia na praia de Pajuçara naquela época. Imaginem todo mundo arrumado para o show, se não me engano, era do Fábio Junior, e aquela figura, de cabelo armado e vestido de Angélica. Foi sem dúvida um marco para as Pecinhas. Mas esse ano ele vai marcar presença nos desfile de uma forma mais discreta, vai preferir ir só com a camiseta oficial. Quem sabe até sábado ele não se inspira e resolve curtir uma de presidenta.


SERVIÇO:

Bloco As Pecinha de Maceió.
Data: Sábado 26 de feveiro.11
Concentração: 12h no Iate Clube Pajuçara, com Xatrez, Affarra e DJ.
Desfile: 15h com Cannibal.
Vendas:LOJA MAXHU´S – Maceió Shopping; G.BARBOSA  – DEFRONTE AO MAIKAI (stand de vendas); DISK PECINHAS -  (DISK FILÉ – 3325-6622) ligue e receba em casa;
Entrega dos abadas: Quinta-Feira dia (24/02/2011) apartir 16 horas, e Sexta-Feira dia (25/02/2011) no período da tarde e noite.A entrega será feita no Iate Clube Pajuçara.

 

 

 

Elzlane Santos

3 Comentários a Pecinhas de Maceió 28 anos! Entrevistamos o Pai das “moças”.

  1. milena disse:

    eu vouuu rsrs

  2. Ângela disse:

    Olá!gostaria de saber onde será a sede do bloco em olinda. como participar do encontro dos alagoanos em olinda?

    • Elzlane Santos disse:

      Ângela, liga para os telefones de informações das Pecinhas que eles te orientam sobre Olinda. Os números estão na parte de serviço no post.

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